Ausências na Rio+20: mau sinal para a nova economia

16/05/2012 14:10

 

Ausências na Rio+20: mau sinal para a nova economia

Segundo publicação da revista Veja, "Angela Merkel, Obama e David Cameron não estarão no Brasil. Cancelamento da participação do Parlamento Europeu prova que crise global prejudica debate sobre meio ambiente e enfraquece objetivos da conferência

 

 

Para o Itamaraty, o sucesso da Rio+20 depende mais do envolvimento dos países do que da presença de chefes de estado. Mas, descartado o otimismo oficial, é indiscutível que em alguns casos as ausências preocupam. Nesta quarta-feira, o Parlamento Europeu anunciou que não vai enviar representantes à conferência, devido aos altos preços para hospedagem no Rio. Das especulações sobre presenças e ausências de peso, a maior veio na última sexta-feira, na forma de um telefonema diretamente da chanceler alemã Ângela Merkel para a presidente Dilma Rousseff. A chamada de Berlim foi uma forma atenciosa de mudar os planos informados em uma conversa direta entre as duas, em fevereiro, na Alemanha. A ausência confirma uma suspeita dos organizadores: a de que a crise europeia deixa pouco espaço para a “nova economia” e questões ambientais.

Angela Merkel, agora, integra o grupo de ausências que serão sentidas na conferência. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em campanha pela reeleição, não deve comparecer. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, também não estará no Rio. O Itamaraty tem a confirmação de mais de 80 chefes de Estado. Mas, mais preocupados com seus problemas internos, os mandatários de algumas das principais economias do mundo decidiram que a Rio+20 não estava no top da sua agenda.

No caso de Angela Merkel, a trajetória de ligação a temas ambientais seria um diferencial para a Rio+20. Em 2009, em Copenhague, Merkel se destacou por seu empenho para incluir a questão do clima na agenda internacional. Em abril, o embaixador da Alemanha no Brasil,  Wilfried Grolig , já havia afirmado que a presença da chanceler era "incerta".

A cúpula vai ter a presença, no entanto, dos chefes de Estado das maiores economias em desenvolvimento. O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, já confirmou presença, assim como o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh. Os chineses virão com a maior delegação, mais de 200 pessoas, entre membros do governo e empresários. A maior parte dos países sul-americanos também já confirmou presença. A previsão do Itamaraty é que mais de 150 países vão mandar pelo menos delegações em nível ministerial. "É lamentável porque se espera sempre o mais alto nível de presença dos países, mas isso não significa que não será uma reunião histórica. Temos certeza que será", afirmou o porta-voz do Itamaraty, embaixador Tovar Nunes.

Para o planeta, mais do que para o Rio ou o Brasil, o recado é o seguinte: a crise econômica internacional diminui o entusiasmo pelas discussões sobre uma nova economia ou um novo modelo de desenvolvimento, apesar do ponto central da Rio+20 seja justamente tentar encontrar uma forma de levar a uma economia que traga também mais oportunidades.

Economia - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse na sexta-feira que convidou todos os ministros de economia do G-20 para participar da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20, de 20 a 22 de junho, no Rio de Janeiro. Segundo ele, haverá um painel específico de ministros da Economia para viabilizar financiamento para projetos ambientais.
"Sem os ministros da economia, que em geral são aqueles que viabilizam os projetos e que têm os recursos, as iniciativas ficavam mais fracas. E agora se fez este casamento entre a área econômica e a área ambiental. Então, diria que o grande avanço na Rio+20 é que nós teremos esta junção", afirmou Mantega, após ter participado de reunião no Banco Mundial sobre a conferência, que contou também com a presença do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki Moon.

"Foi uma reunião de ministros de economia, meio ambiente e desenvolvimento. Portanto, é histórico que haja essa junção. Isso torna mais eficaz a luta pela defesa do meio ambiente", explicou."

 

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/economia/ausencias-na-rio-20-mau-sinal-para-a-nova-economia

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